setembro 27, 2004

...

Das Crianças

Publicado por medusa em 01:22 PM | Comentários (0)

Córazon Partió

Não consigo deixar de ouvir.
Tinhas razão.
E vem aí álbum novo.

Publicado por medusa em 01:12 PM | Comentários (0)

setembro 22, 2004

Wunderbar

Tudo a dar-me os parabéns porque eu vou ser tia!
Não é lindo?

(já que o amor anda no ar fico também à espera de sobrinhos adoptivos)

Publicado por medusa em 12:47 PM | Comentários (6)

setembro 20, 2004

Xau!

Auf Wiedersehen!

Volto para a semana... espero eu...

Publicado por medusa em 07:06 PM | Comentários (0)

Ela voltou!

E já não era sem tempo...
Após forte manifestação pública os ânimos acalmaram-se,
porque ela voltou!

Publicado por medusa em 02:16 PM | Comentários (2)

setembro 17, 2004

Ando às voltas

com a ética do prazer e a estética da existência...
sentindo-me completamente vigiada (piscar de olhos ao pablo)

Publicado por medusa em 12:43 PM | Comentários (3)

setembro 16, 2004

Novidades (amigos)

Novos links para ir acompanhando com atenção:

um livro "work in progress" de um peregrino (gandas malucos!)

e

o diário de uma menina muito muito especial (não é irmão babado?).

Publicado por medusa em 04:52 PM | Comentários (5)

Alquimia

VITRIOL

Visitando o interior da terra e rectificando iniciarás a obra lunar.

Publicado por medusa em 03:12 PM | Comentários (0)

setembro 13, 2004

Adagio

John Tavener.

“Sir John Tavener, an erstwhile student at the royal Academy of Music, is one of contemporary music’s most distinctive and recognisable voices, writing deeply-felt compositions of instant magnetism and lyrical intensityinspired by a srong GreekOrthodox faith. A prolific composer of religious music, he hás a catalogue of Works including three Requiems and hás developed a very personal style that embraces his own concept of ‘melodic minimalism’ The composer’s profile rocketed when his sacred choral work, Song for Athene, was sung at the funeral ceremony of Princess Diana. The Lamb, one of his settings of poetry by Wiliam Blake, is one of his better-known Works. It might almost be described as a (secred) lullaby; written in one afternoon, it is dedicated to Tavener’s three-year-old nephew. Its deceptively simple melody drifts over waves of austere but exquisite harmonies, creating na ethereal soundworld that is unique to Tavener.”

The Lamb – John Tavener (Words by William Blake)u>


Little Lamb, who made thee?
Dost thou know who made thee?
Gave thee life, and bid thee feed
By the stream and o’er the mead;
Gave thee clothing of delight,
Softest clothing, woolly, bright;
Gave thee such a tender voice,
Making all the vales rejoice?
Little Lamb, who made thee?
Dost thou know who made thee?

Little Lamb, I’ll tell thee;
Little Lamb, I’ll tell thee:
He is called by thy name,
For he calls himself a Lamb.
He is meek, and he is mild;
He became a little child.
I, a child, and thou a lamb,
We are called by his name.
Little Lamb, God bless thee!
Little Lamb, God bless thee!

setembro 09, 2004

Gedicht

Finalmente, tenho este livro.
E afinal este poema está feito, pelo menos, desde 1997.

E ainda tem este:

"Desliguei a máquina
a vida
quis ser livre
e fui-o
e vou ser
quantas vezes eu quiser
de aqui em diante
desligo a máquina
a vida
e só a volto a ligar
quando me sentir inteira
e de cada vez
antes que me partam de novo
desligo a máquina
a vida
e só a volto a ligar
quando fizer sentido
de novo
a vida"

(Ana Viana)

Publicado por medusa em 04:13 PM | Comentários (0)

Alda

É muito bom ler coisas como esta.

Desculpa lá a invasão de privacidade:))
mas as coisas boas devem ser partilhadas!

Publicado por medusa em 03:01 PM | Comentários (2)

De uma manhã cinzenta a ameaçar Outono

Largo do Rato.
11h40
Há anos que não se passaram aqui. Anos que não passei por aqui.
Paragem do 38, para chegar à Avenida Infante Santo.
Uma reunião. Estou atrasada.

Há movimento, há nuvens, há muitos pombos exaltados, agitados, inquietos.
Esvoaçar, roçar de penas negras. Há casas antigas. Há estradas curvas, passagens rápidas, que ultrapassam obstáculos.
Aceleram.
Espero o 38 ou o 20.
Chega mais gente à paragem. Gente. Caras e roupas. Não conheço.
Painel electrónico: 18 minutos para a passagem do próximo 38.
É muito tempo. Impaciento-me e a mulher ao meu lado que tem olhos azuis e um risco azul nos olhos e por isso reparei nela, além de ter o cabelo muito preto e uma saia comprida e rodada e um avental comprido e rodado, a mulher morde os lábios e sopra para extravasar baixinho a angústia de estar ali, detida na paragem à espera.
Eu tenho uma reunião. Estão à minha espera no Ministério. Tenho de me acelerar para chegar à reunião e depois acelerar a reunião para voltar e ir trabalhar e dizer desculpa mas agora não posso falamos mais logo depois regressar a casa e trabalhar num relatório e dizer mas afinal ligaste-me para que em concreto?
A mulher impacienta-se e não tem uma reunião. Tem uma vida qualquer à espera.
Os pombos desapareceram. Está a chover. Não tinha reparado que estava a chover mas o céu estava realmente cinzento. Não vi.
Painel electrónico: 21 minutos.
O tempo está a correr ao contrário. O painel deveria ir reduzindo o número e não aumentá-lo e eu até preferia não saber quanto tempo teria de esperar porque 21 minutos é muito tempo e eu tenho uma reunião e depois trabalho e depois relatório e depois vai aparecer muita gente e é preciso dizer não agora não posso.
Movimento. Semáforos.
Verde!
Acelerador!
Há estradas que são como passagens aéreas que voam sobre as nossas cabeças. Há estradas que dançam à minha volta.
Há casas antigas amarelas e cor de rosa.
Há uma casa de que gosto em particular. Uma casa cor de rosa, equilibrada no verde das janelas e das portas. Uma casa antiga, com estores verdes. Uma casa velha com uma varanda de ferro, pintada de verde.
Tantos anos sem passar por aqui, tantos anos que aqui se não passaram e de repente assisto-me a tomar este cenário como referência: para chegar ao Ministério, para chegar ao Chiado, para encontrar a Rosa, para chegar ao Marquês de Pombal.
E o Largo do Rato tem esta centralidade e depois tem aquelas referências como a Pastelaria e a Papelaria e aquela café que tem um toldo enorme a dizer “Café a 0.25 €” e eu penso que o café deve ter intragável e não tenho coragem de lá entrar e depois como é que eu diria olhe eu vim cá mas é só porque o café é mais barato e não me agrada nada a ideia.
Mas gosto daquela casa cor de rosa porque na varanda tem sempre, mas sempre, um homem a espreitar. Aliás, tem sempre um homem na varanda, um velho a ver.
E vejo-o sempre mas nunca lhe dei bom dia porque ele não me vê e também não lhe daria bom dia porque afinal ele não me conhece. Mas sempre que passo no Largo do rato ele está na varanda e faz-me companhia enquanto espero pelo 38.
Hoje não veio, o velho da varanda. Claro, está a chover.
Painel electrónico: 15 minutos. Pode ser que o 20 chegue antes.
O 20 não tem informação no painel electrónico. É assim um autocarro inesperado. Surge quando menos se espera. E demora a surgir.
Tento ler. A obra de Fernando Pessoa. O espólio. A obra não divulgada. Os segredos da arca. Fernando Pessoa iniciado, Fernando Pessoa místico e alquimista e maçon e templário e militante da ordem de Cristo e messiânico e sebastianista e o Bandarra até dizia que no ano de 1888 se daria um grande acontecimento a nível nacional mas que pela dimensão passaria despercebido e ele até nasceu e até foi no dia de santo António e tinha muitos livros sobre rosicrucianismo e kabala e magia e astrologia esotérica e teologiae mediunidade. Sabe-se isto porque andaram a ver as facturas do homem.
Não consigo ler mais porque estou impaciente e porque a paragem está cheia e quando viro a folha ela ameaça rasgar-se na camisola da mulher que está à minha frente. Não se respeita a leitura nas paragens nem nos autocarros. Não há lugares reservados para que trás um livro. Mas como é que se pode ler em pé, quando temos de nos segurar e deixar passar as pessoas e encolher e as pessoas encostam-se e não dá.
Levanto os olhos para ver o céu que no Lago do Rato é maior do que no resto da cidade e é mais perto e vejo que a chuva parou e o velho está exactamente neste momento a abrir a janela alta e sai para a varanda.
Ao mesmo tempo, na casa ao lado, há uma criatura que abre os cortinados de uma janela fechada e surge como um fantasma.
O velho tem uma bengala de madeira e chega-se junto ao ferro da varanda e olha para baixo. Espeta o nariz na direcção do chão. Eu imaginava-o a sair e a abrir os braços e os olhos e os pulmões para olhar em frente e ver o Largo todo e o movimento e aquele céu azul, com nuvens. Mas não. Talvez isso o assuste. Muito céu pode assustar. Como quando respiramos fundo. Talvez os pulmões do velho não estejam preparados para respirar fundo. E lá está ele, o velho que está sempre ali e olha de cima para baixo as pessoas que passam na rua por baixo da varanda da sua casa. Do sítio onde vive quando não está na varanda. O velho vê as pessoas de cima para baixo, vê cabeças e pés alternados e as pessoas estão sempre a andar e não param e quando param para ver uma montra continuam a andar e os carros passam e os autocarros param engolem umas pessoas, cospem outras e seguem, como bichos organizados numa ordem superior e seguem apenas seguem continuam vivem e não param. As pessoas não sabem que o velho está lá em cima e eu pergunto-me como será olhar para a varanda de baixo para cima e ver a cara do velho recortada contra o céu como se ele fosse deus disfarçado numa nuvem a ver tudo o que se passa cá em baixo. Como quando eu era miúda e imaginava que era um pinipon e que comigo deus fazia o mesmo que eu fazia com os meus bonecos. Organizava-os. Vigiava-os. E nós tínhamos uns fios invisíveis que deus ia puxando como queria. Mas sempre achei que o fazia para tomar conta de nós e não para brincar. Embora às vezes me irritasse pensar que não era a minha vontade mas antes um fio que deus estava para ali a puxar. E se ele se enganasse? Ou se o fio se partisse?
Nunca tive coragem de olhar para o velho de baixo para cima. Podia dizer-lhe adeus, mas acho que ele não me responderia. Provavelmente nem me veria a dizer-lhe adeus a ele. Veria apenas que um pinipon estava a fazer adeus a um velho numa varanda e que isso era mesmo assim porque aquela gente toda se mexe e anda e vive e continua e segue e não pára. As pessoas passam porque o velho vive, disso eu sei. Pergunto-me o que moverá aquele velho, como me pergunto em relação a todas as pessoas, mas parece que no caso dele isso não é importante, ele move-se porque há aquele movimento cá em baixo e ele vive nesse movimento. Quando ele morrer, o Lago do Rato ficará estático, como se tivesse congelado.
Painel electrónico: 6 minutos.
Está quase mas agora até podia demorar mais. Vou ter de me despedir do velho.
Não gosto dele. Não o conheço. É só mais um velho, como o outro fantasma que aparece de modo intermitente. Talvez tenha medo do movimento. Talvez tenha medo de ser visto, como se isso o obrigasse a ser qualquer coisa e ele não estivesse preparado.
Os pombos estão mais agitados depois da chuva e esvoaçam junto à casa. Alguns tentam pousar na varanda e no telhado, como se o velho ali não estivesse. Não lhe perguntam: posso? Importa-se? Nem lhe dão bons dias nem dizem: então, como está? Afinal, também eles estão ali a ver o movimento, de cima para baixo.
O velho tem uma cadeia no lado de dentro da casa, junto à porta da varanda. Deve ficar ali, à espera que a chuva passe. A casa é frágil, como ele e aposto que aquelas paredes choram todas as noites. Não sei se recebe visitas, nem de que é que se ocupa quando não está a vigiar o movimento. Nem o que pensa durante a noite antes de adormecer. Mas certamente não pensará muito, as memórias são um líquido espesso no cérebro. Dificultam o raciocínio. Dificultam o presente. Á noite o velho deve ouvir o movimento dos carros. Deve ver as luzes dos carros e das ruas. E acompanha assim o passar das horas. O velho viveu uma vida preso aos fios de deus e agora não sei que ordem ele encontra no largo do Rato, ele que é deus quando olha de cima para baixo. Ele que deve ver todos os fios.
O velho está agitado. Tenta sacudir os pombos com a bengala.
Os pombos não desistem, são inconvenientes, ocupando um espaço para o qual ninguém os convidou.
Os pombos de bico preto e asas e penas que caiem e esvoaçam assustam-me. Não gosto de pássaros nem daquele olhar deles, sempre a olhar de lado, sempre à espera, sempre atentos e ao mesmo tempo ignoram-nos e calam-se e não dizem nada. Mas eles sabem. Eles sabem que há mistérios incompreensíveis. E calam-nos. Os sacanas dos pombos sabem mais do que nós. Vivem mais tranquilos e atormentam-nos. Pousam no telhado mas também são capazes de andar pelo chão a debicar migalhas e restos e lixo. É isso que os torna pouco dignos de confiança. Ficam lá em cima, recortados contra os ceus, e voam como se fossem altivos mas também são capazes de andar junto ao esgoto. Não têm carácter os pombos. Solidarizo-me com o homem que espanta os pombos. Xo, pássaro estúpido não nos importunes. Um pombo teve a lata de se sentar exactamente em cima do candeeiro mais alto. Ali especado. A vigiar. A ver tudo o que se passa para depois ir contar aos outros. Cínicos os pombos de Lisboa. Devem rir-se de nós. Da nossa desgraça.
O velho está realmente perturbado com os pombos. Mas agora estam o velho e os pombos a vigiar quem passa. É frágil o velho. Tão frágil que me comove. É frágil como uma criança. Ou melhor, é frágil como um velho. Porque a criança não tenta compreender os mistérios. É frágil este velho. Pode desfazer-se em qualquer instante. Talvez seja por isso que não olha em frente, nem para o céu. Ou talvez o faça, às escondidas, num instante em que se sinta mais seguro e possa levantar a cabeça e erguer o queixo e desviar o olhar das criaturas que passam. Maroto o velho assim de nariz espetado na direcção de sabe-se lá o que, sem ver o que está em baixo, sem vertigens, sem ver nada, só o céu, só o nada. Talvez deus o visse lá de uma nuvem, ou talvez deus estivesse mesmo ali no telhado e talvez deus lhe sorrisse. E talvez fossem amigos e se falassem e conversassem sobre o movimento e a ordem do movimento. Frágil o velho que baixa a cabeça e vê o movimento. Vigia-o, não pode deixá-lo sossegado. Vê coisas e se alguém o visitar tem coisas para contar: hoje, um miúdo… eu vi… eu sei… Frágil o velho. Fala de uma realidade que não é dele. Ninguém o compreende.
Chegou o 20. Finalmente. E a reunião está à espera.

Publicado por medusa em 11:09 AM | Comentários (2)

Heart Music

Heart-Music

(Espólio 77-84)

Leaning almost upon breast
I heard thy heart’s life – made unrest…

And thy heart’s beating hás a sound
That reminds me of aught I heard long ago,
Long before this life, but what
I do not know, I do not Know…
‘Twas something going round and round
Something of terrible and of strange
That even now doth shake my soul.
I strive to remember – I fail, I fail
The unmemoried memory doth shake my soul.
‘Twas something of terrible and of strange
Going round and going round,
And it had a sound like thy heart’s beat…
The memory hangs on my soul’s darkness
But notion from my mind doth fleet.
I remember but this: it went round and round
And now thy heart – hath such a round.

Alexander Search
December, 1905.

O poeta tinha 17 anos.

Como já tive ocasião de dizer, pegando nas palavras do próprio poeta, potencialmente, em sentido simbólico, somos todos adeptos. Somos todos peregrinos, caminhando no vale, aspirando à montanha …Toda a verdadeira iniciação se dá na alma. A alma é um templo, é o divino no homem. Para o divino no homem aponta o simbolismo hermético. E não confundamos divino com os deuses. Os deuses são de fora, pertencem às religiões. O divino é de dentro, só de dentro, pertence exclusivamente ao homem.”

Yvette Kace Centeno, Fernando pessoa, Magia e Fantasia, 2004, p. 45

Publicado por medusa em 11:06 AM | Comentários (0)

setembro 03, 2004

Sozinho

Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
o antes, o agora e o depois
por que você me deixa tão solto?
por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
só abro pra você mais ninguém
por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida
fala que me ama
só que é da boca pra fora
ou você me engana
ou não está madura
onde está você agora?

[Caetano Veloso]

Publicado por medusa em 09:51 AM | Comentários (0)