agosto 26, 2004

Intimidade (Ou Intimacia)

"Por isso tinha tanto medo. De se separar dele e de o mandar para o colégio.
Apesar de o deixar sozinho todas as noites. Mas isso era diferente.
Era como um pacto. E dava-se conta de que o interior de uma ligação
tão íntima é silencioso. Poderoso. Infinitamente seguro.
Como uma matéria orgânica."

Mafalda Ivo Cruz, A Casa do Diabo.

Publicado por medusa em 05:14 PM | Comentários (2)

agosto 18, 2004

A Oriente (II)

"Jazz em Agosto:
cantam as rãs
mirando-se no lago."

Yvette K. Centeno, A Oriente, 1998.

Publicado por medusa em 02:41 PM | Comentários (0)

A Oriente

"O que procuro?
O teu nome
Mas o teu nome secreto
aquele que não se encontra
nas letras do alfabeto."

Yvette K. Centeno, A Oriente, 1998.

Publicado por medusa em 02:22 PM | Comentários (0)

agosto 16, 2004

Lagos

De Lagos, do Cutileiro e do D. Sebastião.

Publicado por medusa em 04:53 PM | Comentários (0)

Bio

Biografia da Mafalda só por curiosidade.

Publicado por medusa em 04:47 PM | Comentários (0)

Feiticeira

FEITICEIRA


De que noite demorada
Ou de que breve manhã
Vieste tu, feiticeira
De nuvens deslumbrada

De que sonho feito mar
Ou de que mar não sonhado
Vieste tu, feiticeira
Aninhar-te ao meu lado

De que fogo renascido
Ou de que lume apagado
Vieste tu, feiticeira
Segredar-me ao ouvido

De que fontes de que águas
De que chão de que horizonte
De que neves de que fráguas
De que sedes de que montes
De que norte de que lida
De que deserto de morte
Vieste tu feiticeira
Inundar-me de vida.

(Luis Represas)

Publicado por medusa em 04:41 PM | Comentários (0)

Mais um

para proteger
é preciso ferir também

passo a mão pela bainha da saia
por cima dos joelhos bem juntos
é branca a saia e bordada de azul, em flores pequeninas junto à bainha
com um folho por baixo
(eu visto calças justas e estico as pernas para parecerem maiores
e eu ao cimo delas mais alta mais longe)

os sapatos são de pele e não tem salto
sinto o chão por onde passo e caminho silenciosamente
movendo-me entre salas e quartos e fundos e entradas da casa
(eu uso botas altas com saltos altos para me sentir acima do chão
e olhar para baixo e sentir que há alguma coisa que se pisa e não se sente
sequer o que é. se um bicho morrer sob os meus pés só ouço a carapaça estalar)

as minhas pernas são brancas e quando me sento fecho as pernas
encosto os joelhos
sinto as minhas pernas tocarem-se e há nisso qualquer coisa que me assusta
(eu afasto as pernas e cerco-te nelas prendo-te nas minhas pernas musculos quentes)

caminho até à janela do piso de cima
e gosto quando algum magala me sorri
e coro quando algum se atreve a prever a subida das minhas pernas brancas
(eu escolho os homens com s quais me deito
e misturo as minhas pernas nas pernas deles e há nisso qualquer repetição)

quando coro mexo no cabelo
comprido e castanho em anéis soltos que seguro com ganchos pequenos
cada gancho segura o cabelo para que ela não esvoace
nem me caia sobre o rosto nem penda junto à minha boca enquanto falo
embora fale pouco
(eu cortei o cabelo para ser mais fácil passares nele as tuas mãos)

de noite tenho sonhos que não posso contar
e tento esquece-los sempre
assutas-me o corpo quando o não dirijo
(eu conheço bem o meu corpo e todo o seu funcionamento
e ensino-te a fazeres dele contigo musica nossa)

arrumo a casa
limpo e decoro
enquanto lembro o sorriso branco de um rapaz
e os seus olhos fundos brilhantes
(eu faço as malas sempre é preciso partir no tempo certo e estar em constante movimento)

Publicado por medusa em 03:56 PM | Comentários (0)