maio 28, 2003

Do budismo....


Deus é o cadáver de si mesmo

Publicado por medusa em 10:17 PM | Comentários (1)

maio 24, 2003

Paul Celan

Salmo

Ninguém nos moldará de novo em terra e barro,
Ninguém animará pela palavra o nosso pó.
Ninguém.

Louvado sejas, Ninguém.
Por amor de t queremos
Florir.
Em direcção
a ti.

Um Nada
Fomos, somos, continuaremos
A ser, florescendo:
A rosa do Nada, a
De Ninguém.

Com
O estilete claro-de-alma,
O estamo ermo-de-céu,
A corola vermelha
Da purpúrea palavra que cantámos
Sobre, oh sobre
O espinho.

(in Sete Rosas Mais Tarde)

Publicado por medusa em 12:33 PM | Comentários (0)

maio 20, 2003

Baudelaire

Não há obra longa a não ser a que não ousamos começar. Ela torna-se pesadelo.

Publicado por medusa em 09:11 PM | Comentários (0)

R. M. Rilke

R. M. Rilke

"A saudade"

A saudade é isto: viver nas ondas
e não ter pátria no tempo.
E desejos são isto: diálogos baixo
de horas diárias com a eternidade

e a vida é isto: até que de um ontem
surge a mais solitária das horas
que, sorrindo diferente das outras irmãs,
vai calada ao encontro do eterno

Publicado por medusa em 12:21 AM | Comentários (0)

maio 19, 2003

Quero adormecer sobre o teu olhar

Quero adormecer sobre o teu olhar
Sem motivo, nem medo nem culpa.
Talvez acorde e estenda um breve olhar pelo mundo.
Mas logo me aconchegarei no teu estar.
Respirar-te-ei como prana.
Aum.

Publicado por medusa em 10:52 PM | Comentários (0)

maio 18, 2003

Y. K. Centeno

pelo nome se concebe
pelo nome se conhece
pelo nome
o que é oculto
aparece

Publicado por medusa em 11:49 PM | Comentários (0)

mandala

Era ali junto a esse Tejo
Que eu costumava sonhar
Tinha o sol por perto e as ruas estreitas de cheiro
Estreitas de fado

A brancura das casas, a história presente em cada detalhe

Essas fotos de Lisboa antiga que agora me envias lembram-me como era ser criançaa então. Sem medos, sem culpas e sem relógio. Era largo o tempo quando me sentava nas pedras da calçada ou num degrau daquela igreja, testemunha anciã de; de Saturno. Recordo o arrulhar dos pombos que me habitava os sonhos, terrível na sua inacessível razão. E o cheiro a petróleo da velha mercearia, shopping de então, com coisas de gente crescida. A fruta gulosa nas portas e os sons mulher vibração ecoavam em cada canto do cé;u aberto.
Subir aquela escada larga em passo mais largo ainda.
Deslizar pelo corrimão verde numa aventura, circo vivo de emoções.
As sandálias grandes da minha mãe batiam-me alto na calçada da rua íngreme que prometia uma queda, e um joelho manchado. O que arde cura! consolo sobre o algodão que não curava a ferida antes exigia um mimo maternal.
Olhando bem, ouço ainda os sinos da igreja grande e de portas pesadas.
E as banquinhas das festas, as cores dos santos, o ritmo fácil e contagiante.
As bombocas e os nogats!

O meu nome está; ainda em cada canto, gritado de janelas pequeninas de águas furtadas.
Ouço o vizinho amigo família. Da minha casa vê-se a tua, mesmo lá dentro, mesmo no fundo do teu espaço. Comunhão. Segredos trocados. Promessas feitas.

Entre o sol e a lua, gatos ronronam no telhado. Gatos do Tejo, gatos de Alfama que guardam a sabedoria dos tempos, gatos íntimos da verdade, frequentadores assíduos do absoluto.
O Tejo lá ao fundo e nada é como era ou será. Movimento. Borbulhar, sussurrar de criança traquina. Reconheço a minha ténue existência no cheiro dessas fotos.
Alfama mater matrix
Alfama em círculo redondo contendo um ponto meu ao centro.

Publicado por medusa em 07:16 PM | Comentários (0)

maio 17, 2003

Ana Viana

Triste, meu amor, triste

Na minha frente uma cadeira vazia
habitada pela tua ausência
presença invisível
metáfora de nós

(in Passagens Sublinhadas)

Publicado por medusa em 11:10 PM | Comentários (0)