“Não sei se foi da hora, dos dias de isolamento, ou da maneira descontraída, mas citadina, do vestir, mas senti um frémito percorrer-me. Reparei no seu cabelo escuro e na pele de bronze (como dantes se dizia; no tempo em que se faziam estátuas com figuras humanas); na leve penugem que lhe cobria os braços; nestas coisas todas a dançar nas águas. E, vi, sobretudo o céu reflectir-se neste corpo novo. Romanticamente. Como se os anjos tivessem descido à terra, cobrindo de parras a sua nudez.
…
Á medida que os minutos iam passando, a sua pose foi ficando mais relaxada; as suas pernas cruzavam-se e descruzavam-se, a plumagem a agitar-se na morna brisa que, então, se levantara. Os calções largos e compridos a deixar entrever segredos meus. De que nunca me atrevera a suspeitar até aí."
Publicado por medusa em março 17, 2005 12:06 PM