É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália apanhando.
É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália sangrando.
Porém igualmente se surpreenderam na noite em que, mais bebado que de costume, o marido, depois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Eulália rompeu em asas o voo de sua trajectória.
(Marina Colasanti, Um Espinho de Marfim e outras histórias)
Publicado por medusa em dezembro 17, 2004 12:06 PMAcho muito bonito o teu blog. Deixo-te uma história de que gosto muito. beijos
F. Pedro
Mulher Tecendo à Janela
(Javier Tomeo)
Mulher tecendo ao pé da Janela. Subitamente entra um menino no quarto, segurando qualquer coisa na concha da mão.
MENINO – Mãe, olha o que te trago.
MÃE – O que é que me trazes?
MENINO – Uma luz.
MÃE – Onde estava?
MENINO – No charco, debaixo da lua.
MÃE – Alguém te viu quando a estavas a apanhar?
MENINO – Não, ninguém.
MÃE – Anda, então prende-ma no cabelo.
Pausa. O menino põe-se em bicos dos pés e prende a luz no cabelo da mãe. Por um instante, a mãe deixa de tecer e sorri.