A tranquilidade ou apaziguamento que procuro escreve-se assim:
“Ao leitor:
este romance foi escrito em 1967, e várias vezes relido e alterado à medida que o tempo ia passando sem que o publicassem (…) Chamaram-me a atenção para as citações que por vezes faço, em alemão, inglês e francês. Pôs-se a hipótese de serem traduzidas – para não afastar leitores (ou editores). Mas estão de tal modo integradas no texto, não só pelo conteúdo, que eu amplio, mas sobretudo pelo próprio ritmo das palavras, que neste romance é talvez ainda mais importante do que nos outros – que não tive coragem de proceder a tal alteração.
Traduzindo, o sentido não se perdia. Mas o movimento interior do texto ficava destruído. Optei por perder leitores (já que editor sempre houve um que finalmente se dispôs a arriscar). No entanto, para não ser acusada de má vontade ou pretenso hermetismo, proponho um meio termo: indicarei os autores que foram «integrados», pela ordem do seu aparecimento no romance. Esperando que o leitor venha a interessar-se por eles, se não os conhece já. E arei também uma versão dalgumas citações para que de facto o sentido não se perca totalmente.
Se disserem que assim transformo o livro mais em objecto de meditação do que em romance – não me ofendo com isso.
Y. K. Centeno, Lisboa, Março de 1972”
As Palavras que Pena, Lisboa, Edições Ática.