saber-te
é já suficiente.
Não quero pois interromper a tua estadia em mim
pois breve a sei
e perto partirás
e talvez mesmo nunca venhamos a acontecer
assim o queirão os deuses.
O que fica sempre é mais do que se vai embora,
pois ontem fuimos o que amanhã já não seremos
e antes conhecemos o que depois nos produz estranhamento.
Tanto faz para quem escreves a tua estadia
mas fica a saber para já da minha descoberta:
muitas provas estão à nossa frente (nos dois sentidos da palavra),
elas são as evidências e os desafios
dos porques e das respostas,
mas elas não falam por palavras
nem através de imagens
falam, sim, nas passagens
e, porventura,
falam para atravessar uma linhagem
desde a sua proveniência nas essências
até ao presente do amanhã,
aquilo que gostaria de pensar
como um re-encontro entre (des)conhecidos.
Se dentro de ti
já habita algo, alguém,
então,
nada fica interrompido,
antes de mais,
todo fica,
mais uma vez,
hologramático.