- Podias ensinar-me a fazer arroz-doce, como aquele que tu fazes.
O teu é o melhor. É mais cremoso e saboroso que os outros.
- Ora, é tão fácil. Mas tens de dedicar o dia ao arroz-doce.
- O dia?
- Sim, é um doce requintado, exige atenção, é preciso que tomes todo o
cuidado e que o deixes em lume brando, a cozinhar lentamente,
para que o arroz e o leite se fundam no doce. É preciso dar-lhe tempo,
para que ele fique macio.
Se estiveres com pressa não vale a pena. Ficas com o doce estragado.
É preciso saber esperar. O arroz só fica pronto quando achar que o está.
Nos conventos as freiras dedicavam-se pacientemente aos doces.
- Por isso é que tinham aquelas barriguinhas.
- Se não souberes esperar, comes sempre finita verde.
Faz-te mal ao estômago. Mas também não deves come-la muito madura,
não a deixes passar do tempo.