trocarmos agora de orações
não nos traz de volta a nossa embriaguez de ontem
brindar hoje à vida
não nos abre as portas das nossas casas
eremitas
nos nossos castelos escuros
guardados por águas frias
afastados do mundo
sozinhos com a nossa memória
do tempo em que éramos jovens e nos soltavamos de todas as amarras
atando-nos em nós
longe que nos sabemos hoje
choramos um pranto triste
invisível
e nem a ternura noz traz alento
de ontem são as noites rasgadas
os nossos braços animais
tal como os medos
as angústias
as revoltas
De hoje é apenas a certeza segura e sólida
de sermos cristais sem água
serenamente suspensos no tempo
em movimentos lentos e pensados
reinando num mundo em que amanhã é só o arrastar de hoje
estendendo-se eternamente
e gelando-nos o peito