janeiro 20, 2004

De hoje

trocarmos agora de orações
não nos traz de volta a nossa embriaguez de ontem

brindar hoje à vida
não nos abre as portas das nossas casas

eremitas
nos nossos castelos escuros
guardados por águas frias
afastados do mundo

sozinhos com a nossa memória
do tempo em que éramos jovens e nos soltavamos de todas as amarras
atando-nos em nós

longe que nos sabemos hoje
choramos um pranto triste
invisível
e nem a ternura noz traz alento

de ontem são as noites rasgadas
os nossos braços animais
tal como os medos
as angústias
as revoltas

De hoje é apenas a certeza segura e sólida
de sermos cristais sem água
serenamente suspensos no tempo
em movimentos lentos e pensados
reinando num mundo em que amanhã é só o arrastar de hoje
estendendo-se eternamente
e gelando-nos o peito

Publicado por medusa em janeiro 20, 2004 03:55 PM
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