Se procurasse mais um lugar
onde ao longe ainda te avistasse
para me acalmar
anseando
brisas que te trouxessem de volta
ou que as tuas mãos ainda aqui pousassem
sei que os teus dias não serão passados comigo
mas não sei onde pairas agora o teu olhar
não é esse não me veres
é antes o não saber o que vês
é antes o que em ti silencia e que não sei ler
e se eu te dissesse alguma coisa mais profunda?
alguma coisa que pudesse fazer um eco maior em nós
se eu soubesse entrar pelo teu olhar com as janelas que me abres
e então mostrar-te o que em nós seria revelação
se eu soubesse despir-me contigo
e beber contigo
águas que nos aliviassem de todos os pesos que trazemos
e vinhos que nos rasgariam o rosto em emoções
movimentos que saberíamos fazer a dois
danças para construir os nossos mitos
lá no fundo
do tempo
se eu soubesse olhar a luz de frente
sem que me ferisse o olhar
em vez de procurar a tua sombra
se eu soubesse alinhar os caminhos em que te moves
talvez assim soubesses
que desde cedo te reconheci