maio 24, 2003

Paul Celan

Salmo

Ninguém nos moldará de novo em terra e barro,
Ninguém animará pela palavra o nosso pó.
Ninguém.

Louvado sejas, Ninguém.
Por amor de t queremos
Florir.
Em direcção
a ti.

Um Nada
Fomos, somos, continuaremos
A ser, florescendo:
A rosa do Nada, a
De Ninguém.

Com
O estilete claro-de-alma,
O estamo ermo-de-céu,
A corola vermelha
Da purpúrea palavra que cantámos
Sobre, oh sobre
O espinho.

(in Sete Rosas Mais Tarde)

Publicado por medusa em maio 24, 2003 12:33 PM
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