com medo subo a escada escura de madeira
sujo as mãos do pó do corrimão que desce em vez de subir
olho para cima e vejo o escuro do andar seguinte que me espreita
à minha frente a sombra que foge antes de eu a ver
atrás de mim o cão de duas cabeças e os ratos
que ainda não me alcançaram e que não oiço
degrau à frente de degrau os meus joelhos rodam
na excatidão geométrica do abismo de que se escapa
corro
e o cansaço acompanha-me
subo
as janelas fogem
chego
é largo o terraço branco aberto
quadrado
eu no centro
avanço
limites
linhas
arestas
espreito
recuo
respreito
respeito
profundidade
altura
distância
vazio
avanço
um passo
não!
acordo
salto
sobressalto
o chão debaixo dos pés.
e o sol rasgado à janela.
Li, re li, cheguei sempre cançado ao fim...
Afixado por: pedro em agosto 5, 2003 09:15 PM