"A queda"
E eu que sou o rei de toda esta incoerência
eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
e giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço d'oiro
volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
eu morro de desdém em frente de um tesouro,
Morro à míngua, de excesso
Alteio-me na cor à força de quebranto,
Estendo os braços d'alma- e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me da sombra- em nada me condenso
agonias de luz eu vibro ainda no entanto.
Não me pude vencer, mas posso esmagar-me,
- Vencer às vezes é o mesmo que tombar-
e como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso....
Tombei...
E fico só esmagado sobre mim...
(obrigada Marta)
Publicado por medusa em junho 20, 2003 09:56 PM